04/12/2011

Aracy Rosa Marques

Adalgisa mandou dizer que este post é dedicado a senhora Aracy Rosa Marques, também conhecida como vóracy, também conhecida como minha avó.
Pra vocês entenderem bem a emoção deste post, preciso contar brevemente a história desta senhora.
Aracy Rosa Marques "viveu" (já já eu explico as aspas) intensamente todos os momentos da vida. E quando eu digo todos, eu quero dizer realmente TODOS.
Mãe de três filhas, avó de sete netos e bisavó de 3 bisnetos, encontrou ainda moça, mas já com muita história pra contar, o grande amor da sua vida. Com ele construiu uma família e muitas vidas. Amor incondicional é o que descreve o sentimento entre Dona Aracy e Seu Antônio. Daqueles que deixam os romances de novela no chinelo. Juro pra vocês que nunca vi amor parecido...
Dona Aracy sempre foi a pessoa mais ativa que já vi. Quanto mais eu conhecia as avós do meus amiguinhos, menos eu entendia a minha. 
"Será que minha avó é realmente uma avó?" Eu me perguntava.
Dona Aracy não gostava de cozinhar quitutes para os netinhos. Ela gostava de fazer natação, competir e ganhar várias medalhas, gostava de ir às aulas de pintura e artesanato, participar de exposições e ganhar mais medalhas, gostava de fazer crochê, tricô, bordado, ponto cruz... gostava de sair para dançar, passear, fazer compras, bater perna, fazer as unhas, cuidar das plantas, cuidar das plantas, cuidar das plantas... e no fim do dia ainda ter que fazer janta?! Ah, vai vitamina de abacate mesmo!
Agora, vou explicar as aspas do "viveu"...
Depois de receber uma ligação que dizia que sua filha caçula havia sido sequestrada (trote de ladrão para conseguir dinheiro), dona Aracy passou a apresentar alguns comportamentos estranhos. 
Diagnóstico: Mau de Alzheimer.
Ela já tinha a doença silenciosamente, mas o trote acelerou o processo. Essa ligação tirou alguns anos de vida consciente da ativa senhora...
Dona Aracy ainda está viva! Mas, já não parece a minha vóracy... 
Hoje ela toma medicamentos para controlar a doença e vai levando a vida do jeito que dá. Às vezes alheia, às vezes lúcida, às vezes feliz, às vezes triste...
Dona Aracy já não nada mais, já não pinta mais, não borda, não faz as unhas, nem cuida das plantas... nem das plantas...
E a gente vai observando a dona Aracy, finalmente envelhecer. Assim, sem querer.


E hoje, quando visito a senhorinha, vejo sua arte esquecida por todos os cantos da casa.
Na última visita, resolvi fotografar algumas  para mostrar pra vocês que esta senhora é pioneira no ramo de reaproveitamentos! Dá uma olhada no que ela fez!


É uma velha cadeira de ferro?
Não! é uma floreira para abrigar o xaxim!














É a base de um filtro de barro?
Claro que não! é um vaso, ué... 


















O que é isso?! Uma panela velha?!
Não! O velho e rachado tacho de ferro é um vaso muito exclusivo! Aqui ela plantou cebolinha e outros temperos.


E até na rachadura nasce vida!


Vai me dizer que isso não é um bidê!!
Claro que não! é o vaso que abriga a folhagem.


O velho balde de ferro também serve de casinha pra folhagem...






















Até o pedaço do tronco daquele abacateiro que teve que ser cortado, virou um lindo vaso...



Esta foi uma surpresa que encontrei no caminho enquanto passeava pelo jardim!
Dona Aracy pendurou a velha chaleira furada no pé de ameixa e plantou vida lá também...
E mesmo abandonada, a plantinha insiste em florir!
























Te amo muito!
E de uma forma ou de outra, você vai ser sempre minha vóracy...

8 comentários:

  1. A velha chaleira é a melhor!!!
    Bjs.

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  2. E devem fazer muitos anos que esta cheleira está lá... o que me impressiona é ela ainda estar florindo! Ainda tem muita vida naquela casa...

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  3. É Adalgisa..dá pra ver que sua fonte de inspiração vem de pertinho... Mto lindo!!! Bjokas!!!

    Sabrina

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  4. De bem pertinho mesmo... obrigada Sabrina!
    Bjs!
    Layla

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  5. Obrigado por lembrar-me do privilegio que tive conviver e ser educado pelo amor de minha tia-mae
    Aracy.Saudades,amor,admiracao.
    LUZITO

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  6. Tio Luiz! Obrigada por acompanhar meu blog!
    Dividimos o mesmo amor e admiração por ela!
    Bjs!
    Layla

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  7. Layla, há muito tempo não via uma homenagem tão linda! Meus olhos estão rasos dágua...
    Quanta sensibilidade...
    Coisas assim fazem a vida valer a pena (histórias vividas e bem contadas...).
    A sua poesia também me fez olhar pro passado, pra minha infância e onde sempre estarão lembranças da Tia Aracy...
    Beijos, Renata

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  8. Oi Renata,
    Dona Aracy fez muitas vidas valerem a pena. Amo esta senhora e todas as lembranças que tenho dela!
    Bjs!
    Layla

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